FABIANO MAIA
Toda a produção é voltada para a fabricação de vinhos. Carlos Ferragut, 78 anos, está satisfeito
Saborear um vinho de qualidade fabricado artesanalmente, com cor, sabor e odor característicos de uvas finas não é exclusividade de poucos. Em Vinhedo, cidade próxima a Jundiaí, vários sítios estão produzindo uvas denominadas finas, para a produção de vinhos mais elaborados. Até mesmo a época de produção está sendo modificada para se conseguir condições ideais para a fermentação do vinho.
Onde antes só se plantava uva niágara, agora florescem shiraz, merllot entre outras variedades específicas para a produção de vinhos finos, saborosos e com maior valor agregado. De acordo com o presidente da Associação dos Viticultores de Vinhedo, Adilson Amato, os estudos para a inclusão deste tipo de parreira na cidade vêm sendo realizado há vários anos.
"Temos o acompanhamento de especialistas do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Se o solo estiver bem nutrido e úmido o suficiente, a parreira pode produzir o ano todo", comenta. Amato começou a plantar uvas há pouco tempo, mas nem por isso desconhece a cultura. Ele participou de vários congressos e reuniões sobre o desenvolvimento da vitivinicultura promovidos pelo Estado e fala com desenvoltura sobre as especificidades da fruta e dos detalhes para se conseguir um vinho de qualidade.
Novidade - Tanto na propriedade de Amato quanto na de Carlos Ferragut, o mais antigo produtor de vinhos de Vinhedo, a diversificação das plantações é satisfatória. "Tenho várias parreiras diferentes. Ao todo são 6 mil pés plantados de nove variedades. Parte dessas novas parreiras foi plantada com o auxílio da prefeitura, que bancou a compra dos clones de videiras em produção. Cada muda custa R$ 5", explica.
Essas mudas se adaptaram bem ao clima local e produzem em época de inverno. "Com isso, na produção de vinho se consegue uma segunda fermentação, que não acontece com os vinhos comuns", argumenta Ferragut. Segundo ele, a colheita produz aproximadamente 12 mil garrafas de vinho. Tempos atrás, ele fazia o vinho à moda do pai: a olho. "Comecei a fazer o vinho em 1961, quando meu pai parou. Na época era para o consumo da família. Não tinha análise, nada."
Agora, com a participação da Avivi, os produtores fabricantes de vinho da cidade são cobrados pela qualidade do produto. Cada garrafa produzida pelos associados passa por mais de três análises antes de receber o selo da entidade. Tanto esmero está valendo a pena. A produção de Ferragut era de menos de 5 mil garrafas por safra, agora já ultrapassa as 12 mil. Sendo que 70% das uvas utilizadas para a fermentação são produzidas na propriedade.
"Acabo precisando comprar um pouco de uva do sul para conseguir dar conta da demanda", explica. Neste ano, junto com a Festa da Uva de Vinhedo, será realizada a primeira edição da Festa do Vinho, como uma forma de incentivar e divulgar o produto. A iniciativa, segundo o produtor de 78 anos, é fundamental para as vendas e rendimento dos agricultores. "Antes da ajuda na divulgação, não tinha muita visitação. Com as propagandas, o retorno é imediato", revela Ferragut.
História - A produção comercial de vinho começou por acaso para Ferragut. No sítio eram plantadas uvas da variedade niágara para venda ´in natura´; com o que sobrava, fabricava-se o vinho.
"Certo dia precisei de um amigo que tinha caminhão para fazer um carreto para mim. Quando fui pagar, levei uma garrafa do meu vinho junto para presenteá-lo. Junto com o meu amigo tinha um vendedor. Ele tomou o vinho e foi almoçar num restaurante da cidade e falou muito bem do meu vinho", relembra. Naquele mesmo dia, o dono do tal restaurante bateu na porta de Ferragut para comprar toda a produção. Nasceu assim a adega da família.
LUCIANA MÜLLER
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