FABIANO MAIA
Telefones públicos estão disponíveis em pontos estratégicos. Porém, ainda hoje sofrem com o vandalismo
Quem não se lembra da época em que o telefone era artigo de luxo? Aqueles que não tinham, precisavam ir até a casa de quem já tinha ou então apelava para os orelhões públicos que ficavam na sede da antiga Telesp, na rua Siqueira de Moraes. As filas eram enormes e o som da ficha sendo depositada no aparelho era inconfundível. Hoje, essa cena é histórica.
Mesmo a ficha tendo sido substituída pelos cartões, é difícil encontrar alguém usando um dos aparelhos públicos espalhados pela cidade. E quando usam o serviço é, geralmente, por situações de emergência. Essa foi a explicação para Valdir Santos, morador em Campinas, parar o carro em Jundiaí e utilizar um orelhão. "Tinha que fazer uma ligação. A bateria do celular acabou e precisava telefonar", conta.
Ele usou o cartão telefônico, que fica guardado na carteira exatamente para essas ocasiões. "É para emergência", brinca. A proprietária de uma banca de jornais na Vila Mafalda, Dilma Antonelli, afirma que ainda vende cartões telefônicos. "Por mês vendo mais de 30 cartões. Tem um senhor que prefere comprar cartões telefônicos para fazer as ligações a ter de pagar no celular", explica.
Como bem em frente à banca tem um telefone público, Dilma afirma que o movimento em busca dos cartões com 20, 30 ou 50 unidades é razoável. Para ela, não existe um perfil de quem ainda faz uso do equipamento. A equipe de reportagem do JJ Regional percorreu a cidade por mais de duas horas e apenas duas pessoas foram encontradas usando o orelhão. O estudante Carlos Henrique Fernandes é assíduo usuário do orelhão.
Tem celular, mas como a operadora que escolheu não funciona em todos os lugares, acaba tendo de optar pelos aparelhos públicos. "Não existe vantagem, mas é que o celular não pega dentro de lojas por exemplo, ou então, tem que ficar escolhendo um lugar com sinal. Para evitar a perda de tempo, uso o orelhão", conta. Mas a conta é ´salgada´, principalmente para as ligações feitas para celular. Um cartão de 20 unidades, dependendo para o celular que é feita a ligação, não dura mais de quatro minutos, ao custo de R$ 4.
LUCIANA MÜLLER
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