CRISTINA HAUTZ
João, 11 anos, já se matriculou em escola de idiomas e estuda o Rio de Janeiro para se transformar em guia
João já fez as contas: quando o Rio de Janeiro sediar os Jogos Olímpicos, em 2016, ele terá 17 anos e, se começar a estudar inglês numa escola especializada desde já, até lá vai dominar a língua e aumentar suas chances de trabalhar como voluntário perto dos principais ídolos mundias de várias modalidades esportivas, sem contar que guardará para sempre a lembrança de ter estado num evento histórico, tanto para o País quanto para o mundo.
O conhecimento sobre a cidade do Rio de Janeiro já foi assegurado por meio de uma pesquisa que ele fez há alguns anos na escola em que estuda, em Jundiaí, mas também sabe que terá tempo suficiente para se preparar melhor para virar um guia turístico na cidade maravilhosa. A possibilidade de tornar o sonho realidade surgiu a partir de uma conversa que ouviu entre seu pai e um primo.
"Ouvi meu pai perguntar ao meu primo se ele trabalharia como guia turístico na Olimpíada. Aí, me interessei", diz João Pedro Gobby Bandini, hoje com 11 anos. A matrícula na escola de inglês foi feita na semana passada e o computador é um aliado para se aprofundar nas informações sobre o evento e sua cidade sede. O gosto pelo esporte também está no currículo do garoto.
"Faço caratê, mas este ainda não é um esporte olímpico. Se não for incluído até lá e não tiver a chance de participar como atleta, quero ir como guia", diz João. Antes dos Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo no Brasil também desperta o interesse de muitos estudantes, que já se aquecem no aprendizado do inglês para buscar a oportunidade de um trabalho inesquecível.
Custo e uma vantagem - Quem não tem condições de pagar pelo estudo do idioma pode disputar a chance em outra seleção: a do incentivo do poder público. Nesse caso, entram em campo cursos gratuitos permanentes, como o do Centro de Línguas, ou uma parceria firmada entre o Estado e as escolas particulares. O fato de morar em Jundiaí já garante uma vantagem.
Ao lado de Sorocaba, a cidade foi escolhida pelo governo do Estado para receber um projeto piloto do Programa de Aperfeiçoamento em Idiomas, em que o Estado paga para o aluno da rede pública aprender em uma escola especializada de idiomas. O objetivo, neste caso, é colocá-lo em condições igualitárias na disputa por oportunidades no mercado de trabalho, principalmente durante os dois eventos esportivos internacionais.
A Cultura Inglesa recebeu 32 estudantes de oito escolas estaduais de Jundiaí em janeiro num curso intensivo, de três horas por dia, seis dias por semana. "Os alunos estavam muito empenhados, interessados e felizes em aprender inglês", disse a diretora da escola, Valéria Castiglioni. O primeiro módulo acabou, mas a experiência deu tão certo que a parceria vai continuar e, em março, os alunos da rede pública voltam para a escola de inglês.
"O que o governo nos paga é inferior ao custo que temos, mas fizemos a parceria porque faz parte da Cultura Inglesa essa integração com a comunidade." Segundo Valéria, o segundo tempo do curso, que terá mais 40 horas pagas pelo Estado, vai assegurar aos jovens a habilidade de uma comunicação básica em inglês.
Eles vão saber entender pedidos, dar indicações e trocar informações pela língua universal e estarem, assim, treinados para se candidatar a coadjuvantes nos maiores eventos esportivos do mundo.
ANDRÉA LAVAGNINI
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