Depois que os vereadores e o representante da OAB já estavam fora da
cadeia, o diretor da unidade, Fernando Iwanaga, justificou item por
item das cobranças feitas pelos presos. Para ele, as críticas feitas
por um dos detentos, que se transformou em porta-voz da população
carcerária durante a visita, nada mais é do que uma tática do crime
organizado que domina os presídios paulistas e já promoveu históricas
rebeliões em todo o Estado.
"Vocês perceberam a diferença das reivindicações entre os presos do
fundão (como é chamada a área onde fica a maioria dos 340 detentos) e
os do seguro. Aquele rapaz que falou é do PCC, mas nós só conseguimos
diagnosticar isso depois que ele já estava com os outros presos",
explicou Iwanaga.
Ele explicou que cães farejadores da Guarda Municipal foram utilizados
para ajudar a Polícia Civil a identificar a possibilidade de drogas
estarem escondidas em produtos a serem entregues pelas visitas,
quinta-feira passada. "São cachorros altamente treinados, que não
precisam revirar nada para descobrir se há entorpecente. A alegação de
que eles comeram a comida, portanto, é infundada", completou Iwanaga,
aos vereadores.
Embora nenhuma droga tenha sido apreendida pela polícia, o delegado
afirmou que este tipo de operação vai continuar enquanto a Polícia
Civil receber denúncias. "Temos obrigação de averiguar."
Perguntado por Ana Tonelli por qual motivo os tênis são proibidos na
cadeia, Iwanaga explicou ter autorizado a entrada de 12 pares,
recentemente. "Isso que eles disseram que alguns podem usar e outro
não, não procede. Os faxinas (presos que fazem o intercâmbio entre a
população carcerária e a direção) me pediram se eu poderia arrumar 12
pares para que eles jogassem bola. Eu autorizei e, agora, eles já
querem que todo mundo possa usar. Os tênis podem esconder brocas e
serras, além de drogas. Os cadarços podem ser usados para enforcamento.
Se deixarmos entrar, imagine ter de fiscalizar 680 pés de tênis?",
completou.
Iwanaga só se mostrou surpreso com os chuveiros queimados no ´seguro´.
"Isso não acontece porque o que menos queremos é ter preso doente.
Quando acontece, temos de levá-lo até o São Vicente e isso gera risco
para todos", destacou, referindo-se à possibilidade de resgate. "Quando
um chuveiro queima, trocamos imediatamente. Mas vou averiguar isso."
Sobre as denúncias relacionadas a um possível surto de sarna, o delegado afirmou que isso não acontece no
cadeião. "Tivemos casos esporádicos no verão, mas que foram tratados."
Luta diária - Considerado ´linha dura´, Iwanaga criou um sistema de disciplina dentro
da cadeia que se não a transformou na mais segura, pelo menos tem
evitado que fugas e rebeliões aconteçam em grande escala. Prova disso é
que o prédio já chegou a abrigar mais de 500 homens. No último motim,
ocorrido em março de 2006, 10 detentos morreram após uma tentativa de
fuga frustrada. Os presos exigiram a transferência imediata dos
condenados e fizeram cinco reféns.
A rebelião durou 21 horas e rendeu inúmeras denúncias contra a direção
de Iwanaga. A principal delas era de que serviam comida estragada - o
que não se confirmou. Na época, o JJ Regional apurou que os presos
queriam voltar a preparar almoços e jantares na unidade, o que não foi
autorizado pelo delegado. A justificativa, na época, foi de que os
presos poderiam utilizar a entrada dos mantimentos na cadeia para
conseguir acesso a armas e drogas. Uma peça de mortadela que deveria
ser entregue a um encarcerado, certa vez, estava recheada com uma
pistola e um telefone celular.